MIRTILO (BLUEBERRY, ARÁNDANO OU UVA DO MONTE)
Histórico: O mirtilo provavelmente é a planta mais antiga sobre a terra. Os botânicos estimam que tenha aproximadamente 13.000 anos. Tem propriedades medicinais reconhecidas e é um dos melhores alimentos que podemos ingerir. É uma espécie de fruta ainda pouco conhecida no Brasil. Sua implantação data da segunda metade da década de 1980, na cidade de pelotas (RS), em uma região de clima temperado. A primeira iniciativa da comercialização no país começou em 1990, também no Rio Grande do Sul.
Apesar de aquí ser uma espécie recente, devido a nossas condições climáticas, o mirtilo é largamente cultivado em países do Hemisfério Norte, principalmente na Europa. Nos Estados Unidos é muito conhecido na região das montanhas rochosas, onde é consumido na forma de sucos, geléias ou tortas.
Além da importância comercial, atualmente o mirtilo está recebendo uma ampla divulgação, devido à utilização como “fonte de longevidade”, pela sua composição química nutricional (EMBRAPA 2001). Estes fatores impulsionam o cultivo em regiões não tradicionais como a América do sul, na qual se destaca o Chile como principal produtor. Muitos destes países beneficiam-se da possibilidade de produção durante a entressafra européia e norte-americana.
As folhas: Tradicionalmente são utilizadas na forma de chá com propriedades antiinflamatórias e anti-sépticas. Também possuem propriedades hipoglicemiantes e são utilizadas em combinação com outras plantas para o tratamento de diabetes. Nelas há um componente chamado glucoquinina que reduz as taxas glicêmicas do sangue. Estimula a circulação sanguínea nas artérias, nas veias e capilares, reduzindo os radicais livres. Previne infecções urinárias, da laringe e da boca, reduz o colesterol. Auxilia na conservação da visão. Coadjuvante no tratamento do câncer, Alzeheimer, obesidade e envelhecimento.
O fruto: É o preferido dos índios das montanhas rochosas e seu uso também é descrito na Europa desde a Idade Média. É utilizado no controle de diarréias, como diurético e na prevenção do escorbuto. Também é utilizado como desinfetante bucal.
Observação histórica: Durante a segunda guerra mundial, os pilotos da RAF disseram que sua visão noturna melhorava quando utilizavam o suco do mirtilo. Em meados da década de 1960, estimulados por estas observações, cientistas britânicos realizaram estudos para avaliar os efeitos do suco da fruta sobre a visão e o aparelho vascular.
A descoberta do princípio ativo: A eficácia do mirtilo está associada a um grupo de componentes chamados de ANTOCIANOSÍDEOS. Pelo menos 15 antocianosídeos diferentes foram identificados no suco da fruta que, de uma maneira ou de outra, contribuem para seus efeitos benéficos.
Os antocianosídeos são derivados das antocianidinas, que dão a cor azul ou violeta à fruta. Também contém taninos, vários alcalóides como a mirtina, epimirtina e os derivados da quercitina, um potente anti-oxidante.
Nos últimos 20 anos o suco de mirtilo foi introduzido como medicação fitoterápica ética na oftalmologia e angiologia em muitos países da Europa. Para tal, a caracterização química dos antocianosídeos precisou ser amparada por evidências farmacológicas. A utilização da cromatografia e espectrofotometria de massa permite a análise qualitativa, enquanto que a análise quantitativa é feita pelo método HPLC (High Performance Liquid Chromatography).
Aplicações clínicas: Pesquisas recentes mostraram os seguintes efeitos do suco padronizado do mirtilo.
* Antioxidante
* Inibição da agregação plaquetária
* efeito relaxante suave sobre a musculatura lisa vascular
* Inibição “in vitro”, da enzima elastase, causadora da degradação da elastina, constituente da derme e dos vasos sanguíneos.
* Aumento da resistência vascular.
* Diurético
O mirtilo e o sistema vascular:
Os antocianosídeos do principio ativo do mirtilo servem para fortalecer os capilares da microcirculação, diminuindo a fragilidade capilar e protegendo-os da agressão causada pelos radicais livres. Também reduzem a agregação plaquetária, que aumenta o risco de aterosclerose.
O Mirtilo e a visão:
Estudos clínicos da performance de controladores de vôo e motoristas de caminhão demonstraram a efetividade do mirtilo na melhora da visão noturna e da adaptação ao escuro (BELLEOUD, 1967).
Mirtilo e a otorrinolaringologia: Os antocianosídeos do mirtilo foram avaliados em cirurgias otorrinolaringológicas para a prevenção de sangramento.
O futuro do mirtilo: Publicações referenciando as propriedades do mirtilo surgem com mais freqüência nas pesquisas em bases de dados científicos. As evidências dos efeitos benéficos do mirtilo e a notável ausência de efeitos adversos com o uso prolongado indicam o produto como uma eficaz e segura opção auxiliar terapêutica.
As pequenas frutas vermelhas, podem ser num futuro próximo “os grandes aliados da medicina moderna. Essas frutas contêm uma composição química complexa e única. Elas são ricas em substâncias antioxidantes naturais como flavonóides, poli fenóis e antocianinas, essa última responsável pela coloração da fruta, e foi considerada pelos pesquisadores a mais promissora para a saúde humana. Eles relatam que essa descoberta não é de todo inesperado, mas que mais estudos devem ser realizados para saber como as pessoas podem ser beneficiadas através destas propriedades.